Motos Honda em leilão: CG 160, Biz 125, PCX, CB 600 e CBR 650
Por Renato Passos
Fundador do LeilôAI · atualizado em 24 de abr. de 2026
9 min de leitura
Existe uma razão pela qual a Honda domina de forma tão consistente o mercado brasileiro de motocicletas: é a marca mais vendida, mais confiável na percepção popular e mais barata de manter no interior do país.
Existe uma razão pela qual a Honda domina de forma tão consistente o mercado brasileiro de motocicletas: é a marca mais vendida, mais confiável na percepção popular e mais barata de manter no interior do país. E essa dominância no mercado convencional se traduz diretamente nos leilões. Em qualquer pregão de motos apreendidas, especialmente os realizados pelo DETRAN-SP, a Honda está presente em volume. Às vezes representa sessenta, setenta por cento de todos os lotes disponíveis.
Comprar uma moto Honda em leilão é, em muitos aspectos, a entrada mais natural para quem quer explorar este mercado. Os veículos são abundantes, as peças são baratas, os mecânicos são fáceis de encontrar em qualquer cidade e o mercado de revenda é líquido. Mas abundância não significa ausência de armadilhas, e é sobre isso que vou falar neste post.
Por que DETRAN-SP concentra tanto Honda
O Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo apreende motocicletas por diversas razões: irregularidades documentais, abandono, infrações de trânsito, relacionamento com crimes investigados. São Paulo tem o maior parque de motocicletas do país, com estimativas que superam quatro milhões de unidades na frota circulante estadual.
Quando o DETRAN apreende uma moto e ela não é retirada pelo proprietário dentro do prazo legal, o veículo vai a leilão. Com um parque tão grande e tão concentrado em Honda, a proporção que chega a pregão reflete a composição da frota: motos Honda de entrada e médio porte representam a esmagadora maioria.
Os leilões do DETRAN-SP são regulares, acontecendo com frequência mensal em diferentes polos do estado. São Paulo Capital, São Paulo Interior, Campinas, Ribeirão Preto e Santos são alguns dos centros onde os pregões acontecem. A regularidade e o volume fazem com que este seja o canal mais acessível para quem quer aprender o mercado de motos em leilão.
Uma característica relevante dos lotes do DETRAN é que muitos veículos chegaram ao sistema por abandono ou inadimplência, não necessariamente por problemas mecânicos. Uma CG 160 apreendida porque o proprietário não regularizou a documentação pode estar mecanicamente impecável. A chave está em saber distinguir durante a inspeção.
CG 160: o cavalo de batalha do mercado popular
A Honda CG 160 é, sem exagero, a moto mais relevante do mercado brasileiro de segunda mão. Ela é usada por entregadores, mototaxistas, pequenos agricultores, agentes de saúde no interior, estudantes. A amplitude de uso cria uma demanda de reposição que transcende segmentos econômicos.
Nos leilões, a CG 160 aparece em todas as versões: Start (entrada), Titan e Fan. A diferença de valor entre as versões é perceptível, mas o que mais impacta o preço em pregão é o estado de conservação. Uma CG 160 Titan 2021 bem conservada pode sair por valores entre seis e dez mil reais, dependendo da competitividade do leilão. A Fan, de específicação mais simples, tende a ser um pouco mais acessível.
O motor monocilíndrico de 162 cc da CG tem reputação lendária de resistência. É praticamente inquebrável quando a troca de óleo é feita em dia. Mesmo com manutenção negligenciada, tende a continuar funcionando, o que pode criar a falsa impressão de que está tudo bem. Por isso, a inspeção deve ir além do teste de partida e aceleração.
Pontos de atenção específicos para a CG 160 em leilão: verifique a corrente de transmissão e os prockets. Em motos de trabalho com alta quilometragem, este conjunto pode estar muito desgastado, e a substituição custa entre cento e cinquenta e trezentos reais. O amortecedor traseiro, especialmente em motos que carregaram peso acima do recomendado, pode estar comprometido. Custo de reparo entre cento e cinquenta e trezentos reais por unidade.
A documentação da CG 160 merece atenção especial em leilões do DETRAN. Verifique o número do motor no documento: muitas motos circulam com o motor original substituído, e se o documento não reflete essa realidade, a regularização pode ser burocrática e custosa. Esta é uma das situações onde o arrematante paga caro por um problema que poderia ter detectado antes do lance.
CG 160 como moto de trabalho: o perfil mototáxi
Existem CGs que vieram de uso particular e CGs que vieram de uso intenso como mototáxi ou entrega. A diferença de desgaste entre os dois perfis é enorme, e em leilões o arrematante precisa saber distinguir.
Indicadores de uso intenso em mototáxi: assentos com couro gasto ou substituído com material de qualidade inferior, protetor de motor instalado, espelhos retrovisores com marcas de substituição múltipla, suportes de baú traseiro instalados ou pontos de fixação no bagageiro, pneu traseiro com desgaste diferente do dianteiro por uso em subidas com passageiro, e hodômetro com quilometragem alta para o ano.
Motos de mototáxi podem ter passado por cento e vinte a cento e cinquenta mil quilômetros em poucos anos, com motor e freios muito desgastados mesmo que a carroceria pareça razoável. A potência do motor é preservada por mais tempo do que os componentes de desgaste, então uma moto que acelera bem pode ter freios próximos do limite ou rolamentos de roda no final da vida útil.
Se a intenção é usar a moto para trabalho próprio, adquirir uma com histórico de uso intenso exige revisão preventiva completa antes de colocar na rua. Se a intenção é revender, precifique o custo de restauração antes de definir o lance.
Biz 125: entrada de mercado com público fiel
A Honda Biz 125 ocupa um nicho diferente da CG. É uma moto semiautomática de baixíssimo custo de manutenção, voltada para quem precisa de transporte básico sem complexidade mecânica. Seu câmbio de velocidade variável contínua (CVT), diferente do câmbio convencional das CG, é um ponto de especificidade que merece atenção em leilões.
O CVT da Biz, quando bem mantido, tem vida útil longa. Mas em motos com alta quilometragem ou manutenção negligenciada, o desgaste das correias e polias pode resultar em transmissão que escorrega, uma sensação de perda de tração que fica evidente ao acelerar. A substituição das correias custa entre cento e oitenta e trezentos reais em peças originais, e o serviço de mão de obra é simples.
Em leilões, a Biz 125 costuma atingir lances entre quatro e sete mil reais dependendo do ano e estado. O mercado é mais restrito do que o da CG, mas existe demanda consistente especialmente em cidades de médio e pequeno porte onde a Biz é popular. Para compradores iniciantes em leilão de motos, ela representa um ponto de entrada de menor risco financeiro por ser um veículo de menor valor absoluto.
PCX: o scooter urbano que valoriza bem
A Honda PCX 150 e PCX 160 são um caso interessante no mercado de leilões. Ela frequenta os pregões do DETRAN com menos volume do que as CGs, mas quando aparece, atrai compradores com perfil de renda diferente, geralmente moradores de grandes centros urbanos que usam scooter para deslocamento diário.
O motor eSP (Enhanced Smart Power) da PCX tem reputação positiva de eficiência e durabilidade. A principal diferença em termos de manutenção em relação às motos convencionais é o sistema de injeção eletrônica, que pode demandar limpeza de bico injetor e ajuste eletrônico, com custo entre cento e cinquenta e trezentos reais em oficinas especializadas.
O que diferencia uma boa PCX de uma problemática em leilão é, em boa parte, o estado do compartimento de armazenamento sob o banco e o sistema elétrico. Motos apreendidas que ficaram expostas ao tempo, especialmente em regiões com chuvas frequentes, podem ter problemas elétricos não aparentes em inspeção visual. Checar a iluminação completa, o painel digital e o sistema de partida é essencial.
Em termos de valor, PCX 160 de 2021 e 2022 em bom estado podem sair por lances entre nove e quinze mil reais em leilões concorridos de grandes centros. O preço de mercado convencional para o mesmo veículo gira em torno de dezoito a vinte e dois mil reais, o que demonstra o potencial de economia que a compra em leilão pode oferecer.
CB 500F: naked média com custo acessível
A CB 500F é a naked de médio porte da Honda, posicionada entre as motos de entrada e as big trails mais caras. Com motor bicilíndrico de 471 cc e cerca de 47 cavalos, ela atende o público que quer um pouco mais de desempenho sem os custos de manutenção das motos de alto cilindro.
Nós leilões, a CB 500F aparece com menos frequência do que as motos de entrada, mas quando aparece, o perfil do comprador muda: são entusiastas, pessoas que buscam segunda moto para uso fim de semana, ou jovens compradores que querem uma moto esportiva acessível. A disputa nós pregões para este modelo costuma ser acirrada porque a demanda é clara e a oferta em leilão é limitada.
O motor parallel twin da CB 500 tem boa durabilidade e manutenção relativamente simples. Os pontos de atenção em veículos de leilão são: estado dos freios ABS (presente nas versões mais recentes), condição das suspensões dianteira e traseira, e verificação de possíveis quedas por meio de marcas no carenamento, protetor de motor e slider.
Uma CB 500F com marcas de queda precisa ser avaliada não apenas pelos danos aparentes, mas por danos estruturais que podem não ser visíveis. Um garfo torcido, por exemplo, não é sempre óbvio visualmente mas afeta profundamente a dirigibilidade. Quando possível, rolar a moto em linha reta e observar o alinhamento é um teste básico útil.
CBR 650R: o sport que aparece raramente
A CBR 650R é a esportiva de médio porte da Honda, com motor quatro cilindros de 649 cc, carroceria aerodinâmica e endereço tecnológico superior. Em leilões convencionais, ela é rara, aparecendo principalmente em pregões específicos de seguradoras ou em lotes de constrição judicial de patrimônio de alto valor.
Quando aparece, o preço em leilão pode ser significativamente abaixo do mercado pela simples razão de que o universo de compradores aptos a avaliá-la corretamente é menor. Um comprador bem informado, com acesso a mecânico especializado para inspeção prévia, pode fazer um negócio excelente.
Os pontos críticos de uma CBR 650R em leilão incluem o estado do sistema de escapamento, que é caro se precisar de substituição, a integridade do carenamento completo, que pode custar entre dois e quatro mil reais se danificado, e o estado dos pneus, que são específicos e têm custo entre mil e duzentos e dois mil reais para o par de pneus esportivos adequados.
Para este nível de motocicleta, contratar um inspetor especializado antes do lance é investimento que geralmente se paga. A diferença entre uma CBR 650R em bom estado e uma com problemas ocultos pode ser de dez a vinte mil reais no custo total de restauração.
Estratégias práticas para leilões de Honda
Comprar Honda em leilão é mais fácil do que parece para quem se prepara adequadamente. Algumas estratégias práticas que vi funcionar ao longo dos anos de acompanhamento deste mercado:
Pesquisar tabelas de referência por modelo, ano e quilometragem antes de qualquer leilão. Para motos Honda, o mercado é suficientemente líquido para que existam boa quantidade de anúncios em portais de venda que servem de base de comparação. Use o valor médio de mercado como teto e subtraia o custo estimado de regularização e revisão para chegar ao seu lance máximo.
Participar dos leilões de segunda ordem, não apenas dos grandes pregões muito divulgados. Leilões menores em cidades do interior, realizados por leiloeiros regionais com menos visibilidade, tendem a ter menos competidores e, consequentemente, lances mais próximos do valor mínimo. Para quem pode se deslocar ou monitorar pregões em múltiplas regiões, este é um caminho consistente para bons negócios.
Criar um roteiro de inspeção padronizado para cada modelo específico da Honda. Uma checklist para CG 160 é diferente de uma checklist para PCX 160. Ter esse roteiro preparado antes da inspeção garante que nenhum ponto crítico seja esquecido na adrenalina do momento.
Regularização e documentação pós-arrematação
Arrematar uma Honda em leilão é apenas o primeiro passo. A regularização documental é o processo que transforma o veículo em um bem legalmente utilizável e vendável.
O procedimento varia conforme a origem do leilão. Em leilões do DETRAN, o processo de transferência tem um fluxo específico com taxas definidas e prazos determinados. Em leilões judiciais, o arrematante recebe uma carta de arrematação que inicia o processo de regularização junto ao Detran do estado.
Motos com débitos de IPVA, multas e licenciamento atrasado têm esses débitos incorporados no lote de leilão, geralmente sendo de responsabilidade do arrematante a partir da data da arrematação, ou em alguns casos quitados pelo leiloeiro antes da transferência. Verificar as condições específicas do edital antes de qualquer lance é obrigatório.
Para motos com restrições de roubo ou furto, a situação é mais complexa. Leilões sérios não colocam em pregão veículos com estas restrições ativas sem resolução prévia, mas verificar no sistema do Detran antes de qualquer lance é uma precaução que nunca deve ser pulada.
O LeiloAI reúne lotes de Honda de múltiplos leiloeiros e DETRANs em um único lugar, permitindo monitorar modelos específicos como CG 160, PCX 160 ou CB 500F com alertas configurados. Para quem quer escala neste mercado, seja para uso próprio ou revenda, este tipo de ferramenta elimina o trabalho manual de acompanhar dezenas de editais separados. O mercado de motos Honda em leilão é consistente, e com o processo certo, é possível fazer aquisições vantajosas de forma recorrente.
Perguntas frequentes sobre este guia
Onde encontro os leilões mencionados neste guia?
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